Preciso confessar: eu amo os pontos finais. Gosto quando algo acaba, mesmo que tal coisa me tenha feito bem, e a falta irá me machucar. Eu gosto de renovar, de me sentir livre. De ter sempre a folha em branco à espera de algo surpreendente. Sou sedenta por sentimentos, mesmo me privando deles em sua essência mais profunda. Sentimentos verdadeiramente intensos são passageiros, e eu agradeço por isso. Pessoas me cativam, e os sentimentos que me despertam me fascinam. É como se sempre me apaixonasse, mas desapaixonasse logo em seguida, por que algo melhor e maior surgiu. Sou arisca. Só me deixo envolver quando a outra parte não me quer, não arrisco meu bem estar por um friozinho prazeroso na barriga. Beijos ardentes e pegadas fortes não são sinônimo de amor.
Sempre que inicio algo novo, gosto de já precaver para ambos não se decepcionarem. Sim meu bem, meu caso com você é casual. Isso não é lindo? Você não precisa me ligar amanhã, porque eu verdadeiramente não vou esperar. Não precisa trazer café na cama, porque eu não vou dormir com você, nem me dar nada no dia dos namorados, porque nesse dia nem nos veremos. Não precisa separar gavetas no seu closet, nem me abraçar quando meu avô morrer, minhas roupas estão bem onde estão, e minha família não é assunto do nosso relacionamento. Vamos rir, nos divertir, nos abraçar. Nada demais. Seremos amigos, com benefícios, aquela descrição bem clichê. Seremos útil um ao outro apenas no divertimento, ademais não há com o que se preocupar. Seremos a corda de salvação um do outro quando a coisa ficar tensa, seremos um ponto de paz. Mas reforço o alerta: não se envolva. Não me ame, nem sequer goste. Treine a arte de sentir afeto. Uma coisa pessoal, mas impessoal. Entende? Não? Eu explico: seremos muito íntimos um do outro, mas apenas com as coisas boas. Beijo, cinema com pizza, vinho em uma adega charmosa. Seremos filme no domingo, chopp na segunda e stand up na quarta. Semana de férias pra você na época da TPM e eu te esqueço no carnaval. Está entendendo? Nada de forçações. Nada de vírgulas, de reticências, tudo bem claro. Obviamente você terá casinhos paralelos, e eu serei amante dos meus livros e cds, cada um com sua obsessão, você com bundas alheias e eu com o Chico Buarque.
E enfim, quando um de nós começar a sentir o coração palpitar, antes que um enfarte aconteça, finalizaremos com um ponto final. Afinal não precisamos disso.
Eu não sou capaz de fazê-lo feliz. Antes que eu seja obrigada a dizer isso pra você, e te magoar, e me magoar, romperemos. Ponto final.
Ponto final é um ato covarde, assumo. Sou covarde. E se eu não te amei, mesmo em todos os gestos forçadamente impessoais, é porque a falha está no elo mais fraco. Minha força de vontade em me trancafiar dentro de mim é minha maior fraqueza. Meu medo de arriscar um sentimento singelo e a junção de escovas de dentes é a prova que minha indiferença não tem cura. E por mais forte que seja o amor sentido e direcionada à mim, eu o desprezarei. Desprezarei, porque sei que não sei lidar com meus sentimentos extremistas. Ou te amo apaixonadamente ou te odeio desesperadamente, e de todo jeito acabo sentindo algo além do que se espera, do que se aceita. E no meio de tantas extremidades, em uma decepção grande, eu permaneci no meio, e vi que no meio, equilibrada, eu podia ser obsessiva comigo mesmo. Me amando e me protegendo. Mas com um zelo maior que o normal, criei um cercado de arame farpado em torno de mim, com cadeados e alarmes. E isso me impede de chegar até alguém que possa vir a ser bem intencionado. Eu não me permito amar, e não aceito um amor direcionado a mim quando não o quero. Sou assim, presa dentro de mim. Possuo o chave para destrancar tudo, mas prefiro a sensação de falsa proteção. E a única coisa que me faz querer fugir das minhas próprias garras é a sensação que você me passa de querer sempre usar vírgulas. Mas antes que eu me atreva a aceitar isso, meu coração já colocou um ponto final em você.
S.
Sempre que inicio algo novo, gosto de já precaver para ambos não se decepcionarem. Sim meu bem, meu caso com você é casual. Isso não é lindo? Você não precisa me ligar amanhã, porque eu verdadeiramente não vou esperar. Não precisa trazer café na cama, porque eu não vou dormir com você, nem me dar nada no dia dos namorados, porque nesse dia nem nos veremos. Não precisa separar gavetas no seu closet, nem me abraçar quando meu avô morrer, minhas roupas estão bem onde estão, e minha família não é assunto do nosso relacionamento. Vamos rir, nos divertir, nos abraçar. Nada demais. Seremos amigos, com benefícios, aquela descrição bem clichê. Seremos útil um ao outro apenas no divertimento, ademais não há com o que se preocupar. Seremos a corda de salvação um do outro quando a coisa ficar tensa, seremos um ponto de paz. Mas reforço o alerta: não se envolva. Não me ame, nem sequer goste. Treine a arte de sentir afeto. Uma coisa pessoal, mas impessoal. Entende? Não? Eu explico: seremos muito íntimos um do outro, mas apenas com as coisas boas. Beijo, cinema com pizza, vinho em uma adega charmosa. Seremos filme no domingo, chopp na segunda e stand up na quarta. Semana de férias pra você na época da TPM e eu te esqueço no carnaval. Está entendendo? Nada de forçações. Nada de vírgulas, de reticências, tudo bem claro. Obviamente você terá casinhos paralelos, e eu serei amante dos meus livros e cds, cada um com sua obsessão, você com bundas alheias e eu com o Chico Buarque.
E enfim, quando um de nós começar a sentir o coração palpitar, antes que um enfarte aconteça, finalizaremos com um ponto final. Afinal não precisamos disso.
Eu não sou capaz de fazê-lo feliz. Antes que eu seja obrigada a dizer isso pra você, e te magoar, e me magoar, romperemos. Ponto final.
Ponto final é um ato covarde, assumo. Sou covarde. E se eu não te amei, mesmo em todos os gestos forçadamente impessoais, é porque a falha está no elo mais fraco. Minha força de vontade em me trancafiar dentro de mim é minha maior fraqueza. Meu medo de arriscar um sentimento singelo e a junção de escovas de dentes é a prova que minha indiferença não tem cura. E por mais forte que seja o amor sentido e direcionada à mim, eu o desprezarei. Desprezarei, porque sei que não sei lidar com meus sentimentos extremistas. Ou te amo apaixonadamente ou te odeio desesperadamente, e de todo jeito acabo sentindo algo além do que se espera, do que se aceita. E no meio de tantas extremidades, em uma decepção grande, eu permaneci no meio, e vi que no meio, equilibrada, eu podia ser obsessiva comigo mesmo. Me amando e me protegendo. Mas com um zelo maior que o normal, criei um cercado de arame farpado em torno de mim, com cadeados e alarmes. E isso me impede de chegar até alguém que possa vir a ser bem intencionado. Eu não me permito amar, e não aceito um amor direcionado a mim quando não o quero. Sou assim, presa dentro de mim. Possuo o chave para destrancar tudo, mas prefiro a sensação de falsa proteção. E a única coisa que me faz querer fugir das minhas próprias garras é a sensação que você me passa de querer sempre usar vírgulas. Mas antes que eu me atreva a aceitar isso, meu coração já colocou um ponto final em você.
S.
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