Estamos todos sentados em volta à mesa. Típico domingo familiar e só consigo pensar em você. Essa prisão em que me encontro é totalmente inversa à felicidade que sinto quando estou com você. Eu me esqueço de todos meus problemas, seus problemas, nossos problemas. É meu momento de paz. A ultima vez que se vimos, você com um sorriso de derreter qualquer coração de gelo, e eu com a cabeça cheia de sonhos, obstáculos e problemas sem solução. Aí você pegou na minha mão. E aí, bem, aí eu me esqueci de tudo.
E eu queria você comigo agora. Para me fazer sentir pertencente em algum lugar. Sentir-me amada. Essas pessoas ao redor da mesa maximizam tudo o que eu quero esconder, ou apenas não lembrar. Maximizam meus defeitos. Aqueles que você convive bem, e elogia. E então começo a juntar as peças. E acho que meu lugar é com você.
Sim, porque aqui, em meio a esse inferno não é meu lugar.
Eu penso em você com frequência. Juro. Não tanto quanto queria. Eu queria te amar, te desejar, juntar você aos meus planos. Queria que meu ponto de paz tomasse conta da minha vida. Mas isso não acontece, e eu sofro. Sou apaixonada por você, ou quase. Mas pra amor está longe.
Imagino cenas e quero que você esteja nelas, mas de repente tudo se turva e o que vejo são outros sonhos. Meu amor se chama independência. E eu não queria mais que fosse assim. Eu queria você. Mas você não vem. Não vem porque eu não te chamo, e ai, eu sofro. Sofro porque sou fraca demais pra ligar, insegura demais pra viver na incerteza e carente demais pra ouvir um não. Por trás desse meu jeito largado, eu estou me atando a você, mas ao passo que eu me prendo, eu mesma me solto.
Te quero. Mas não te amo. E agora como faz? Forço-me a amar. Finjo amar. Luto desesperadamente amar. Mas a inercia é maior. Eu te quero você me quer, mas isso não é suficiente pra me fazer mover um passo até você. E o erro é esse, eu não me movo, quem move é você.
Eu não te amo. Mas quero. E você? Quer que uma louca te ame? Se sim, então não venha. Eu ajo melhor através da dor. E a pior e melhor dor que eu posso sentir é saudade. Mas aí você me liga, e a inercia volta, e a vontade fica só na vontade.
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