
Sabe o que me mata? Sapatilha apertada. Odeio de coração. Uma coisa que foi feita para ser confortável, nos deixar na zona de conforto, de repente nos machuca, incomoda, faz cair lágrimas de arrependimento. Tudo parecia lindo, parecia combinar. E ai decepção... Tipo saltos, veja bem, no pé dos outros é lindo, é gracioso, é perfeito, é único. Mas bem na realidade, aquela pessoa ali, está se explodindo de cansaço, de arrependimento. Para algumas sonhadoras sempre existe o sonho de "encontrar o par perfeito", aquele que não irá machucar, que será lindo, perfeito, que talvez fique gasto, mas sabe como é, sapato bom é sapato gasto. Tem outras que aguentam as dores pelo amor ao sapato, aqui abro um parenteses (lê-se opinião minha), veja bem a pessoa ama o sapato, ok, bacana, mas se o sapato lhe machuca é sinal de que esse amor é masoquismo, vá achar um sapato certo. Outras que amam a ideia do sapato ser perfeito. Outras que simplesmente não estão nem ai e usam tênis (garotas espertas). E tem aquelas, que sim, amam sapatos, amam saltos, amam também as dores que eles causam, mas está tranquila, falida e não pode comprar novos, então ela simplesmente espera, que assim, de repente um presente, "um par perfeito" caía do céu e lhe faça crer que não haverá necessidade de usar mais nenhum dos tantos que já teve no armário, que aquele será o sapato pra vida toda (para a maioria das mulheres "a vida toda" se resume em uma semana ou no máximo 15 dias, mas não é esse o contexto que quero usar). E esperam, e esperam. E de repente alguém lhe dá, e parece ser lindo, e parece ser perfeito, mas é só a sensação de um sapato novo, não é realmente o seu par perfeito. Mas ai já é tarde, presente é presente, você o usou na hora e não dá pra trocar. Mas ai, aparece a luz no fim do túnel, e ela, aquela que sempre quis achar o par perfeito encontra uma sapatilha preta, uma tão básica, tão simples, tão linda, e ela se dá conta que o "seu par perfeito" estava lá. Mas ela resolveu esperar para ver se algo mais bonito, mais cintilante aparecesse e deixou passar a oportunidade de amar. De se encontrar. De estar confortável, feliz. Mas agora... É impressionante como mulher ama ser amada, sentir-se amada. É necessidade. E quando esse amor não vem do sexo oposto ela busca um amor companheiro em coisas singelas. Como chocolate em tpm, salão de cabeleireiro numa segunda e sapatos. Mas é gritante a forma como essas coisas simbolizam nosso sentimento em nossos relacionamentos. O amor é como sapato. O amor é como salão na segunda. Como uma bela caixa de bombons no meio do mês. Mas tudo, tudo está ligado com o que sentimos. Se alguém suprisse toda nossa necessidade de ser amada, poderíamos viver nuas e comer grama que seríamos felizes, imensamente felizes. O amor me machuca como essa sapatilha que estou no pé. É tudo tão lindo de fora, no inicio a gente sempre acha que irá ceder, que ficará confortável, que por ser tudo tão lindo as dores, os incômodos irão dar lugar para o amor. Mas não acontece, e só incomoda. E ai vem o choro doído. Mas vamos esquecer tudo isso, afinal hoje é segunda, é dia de salão, de comprar sapato novo (esse sem metáfora), de comer muito chocolate e sentir-se amada.Restituindo: de conseguir amar.